terça-feira, 9 de abril de 2013

Fanfic: Crônicas de Lysanthia - Cap. 9

Capítulo 9

O som das sandálias de couro deveria ter anunciado sua chegada, mas o chão que pisava nunca o traía. Suas vestes, um robe com diversos tons de azul como a água, não faziam o barulho do farfalhar contra o vento. Seus olhos, de um azul límpido contrastando com a cor de sua pele, demonstrava a chama da infinita sabedoria, ainda que a fluidez de sua voz as aplacasse como o som de ondas batendo contra rochas.

A aparência física, de forma alguma, refletia a grandiosidade que o vidente Nobundo possuía. E o sorriso que tanto a draenei quanto o Profeta deram ao notar a presença do primeiro shaman demonstravam que alguns conseguiam sentir esta grandiozidade e, talvez, compreendê-la.

“Fui chamado aqui, nobre Profeta, para ajudar esta shaman. Ela está perdida, e acredito, com o devido respeito, que não poderá ajudá-la, mesmo em sua infinita sabedoria.”



Embora bem mais baixo que Velen, Nobundo era o único draenei que falava de igual para igual com o líder da raça. Alguns diziam que era por despeito, porque Velen ainda era um Draenei e Nobundo, um Krokul, o invejava. Mas ambos sabiam que não era assim, que não era despeito, inveja ou arrogância. Era apenas o que ambos conheciam um do outro que permitia que esta situação fosse até corriqueira.

“Leve-na, então, meu amigo. Mas lembre-se, jovem, que os Naaru estão conosco desde sempre, e que mesmo que não sigamos fielmente suas instruções, eles sabem quem somos. Vá, e que a Luz a guie.”

Velen fez uma leve referência aos dois, que responderam com igual respeito, e seguiram para a asa norte do complexo, deixando as paredes douradas da nave para a área púrpura, onde em todos os cantos era possível ver cristais adentrando pelas paredes da alquebrada nave. E por conta disto que aquela asa era conhecida como Cristal Hall. E era ali que Nobundo guiava os shamans, e era ali que queria conversar com a garota.



“Foi o Vento que me falou de sua chegada, da mesma forma que foi Ele quem me mostrou o caminho que seguimos. Ele me guiou até você, jovem. E, apesar de eu conhecer todos os de sua raça que seguem nosso caminho, eu não a conheço.”

A voz de Nobundo não demonstrava compaixão ou carinho, mas um senso de propósito que lhe era peculiar. A jovem shaman sabia disso e, mesmo assim permanecia feliz de encontrar aquele que era o mentor dos shamans de sua raça.

“Eu o conheço, e fui instruída pelo senhor, ó Vidente. Não consigo me lembrar de meu nome, embora me lembre de cada momento de minha iniciação como shaman sob seus cuidados. Me causa enorme preocupação que não me conheça, estimado líder, pois foi guiada por você e seus acólitos que me tornei quem sou hoje. E posso provar, se necessário for, que domino os Elementos tão bem quanto qualquer shaman que siga seus passos.”

Das mãos da draenei surgiram chamas vivas, que ela agora ofertava ao Vidente. Era claro que as chamas não a queimavam, embora fossem realmente oriundas do Fogo que corria em sua alma. Nobundo colocou suas mãos acima das chamas que lhe eram oferecidas e as apagou apenas com seu gesto suave.

“Eu sinto sua capacidade, jovem, sinto que é uma Shaman, mas não é dominando os elementos que vai me mostrar que é uma shaman. É mostrando que os conhece que saberei quem você é. Se recebeu minha instrução como diz, procure aqueles que a fizeram quem você é, me usando como guia, e encontre-se.”

Falando isso, Nobundo fechou suas enormes mãos ao redor das pequenas e finas mãos da jovem Draenei, e indicou-lhe o caminho em espiral que subia ao centro do Cristal Hall. A shaman fez uma reverência à Nobundo e, tendo suas mãos soltas pelo Krokul, seguiu para a rampa em espiral, em busca dos Quatro que guiavam sua vida.

Auto: Lobo (Kujapi Blog)

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